"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

Caminhos...

sexta-feira, julho 09, 2010 22:44

Algumas leituras na sala de espera da dermatologista me fizeram repensar muita coisa que está acontecendo, algumas que, definitivamente, não dependem da minha vontade. Parei e pensei que diabos eu estou fazendo da minha vida. Será eu estou escolhendo os caminhos certos? abrindo as portas certas?
São tantos questionamentos, típicos da minha idade mesmo, mas que incomodam tanto.
Por que existe tanta diferença entre o garoto do blog e o ser humano? Será que existe diferença? Quais são as imagens eu construo para os outros? Será que essas imagens correspondem ao que eu sou de fato?
São muitas perguntas, eu disse. E eu sei que a resposta para todas elas está em mim, unicamente em mim. Eu sei quem eu sou, sei o que devo saber, pelo menos. Reconheço alguns limites, estou aprendendo a lidar com meu temperamento inconstante, estou aprendendo a desacelerar quando é preciso. Estou tentando ser menos vulnerável, me protegendo mesmo. De tudo.
E eu sinto falta. Falta de um colo, de um ombro. Não estou me queixando dos meus amigos, a culpa não é deles, mas o ombro e o colo eu quero estão distantes demais. Como diz aquela música:
A gente às vezes tem vontade de ser
Um rio cheio pra poder transbordar
Uma explosão capaz de tudo romper
Um vendaval capaz de tudo arrasar

Mas outras vezes tem vontade de ter
Um canto escuro onde poder se ocultar
Um labirinto onde poder se perder
E onde poder fazer o tempo parar

 
De vez em quando eu penso que exijo demais de mim, exijo mais do que é necessário pra viver em paz. Mas eu nem sei direito qual a paz que eu procuro. Li uma frase no livro da Lena que me chamou a atenção: "É que às vezes a gente pede e não sabe receber". E aí, eu sei receber tudo que tem sido oferecido a mim?
São perguntas tão difíceis de responder, tão desgastantes. É chato pensar nisso. Só que ao mesmo tempo é necessário que se pense para não atropelar a felicidade... Aí de repende eu me lembro da frase da Clarice e me acalmo: "Perder-se também é caminho." Eu estou no meu caminho, certo ou errado, conveviente ou não, este é o meu caminho. Pode não ser o mais fácil, mas foi esse que eu decidi tomar e nós somos a soma das nossas decisões. O problema é que eu acho que peguei a estrada mais torta. Mas se não for difícil não é divertido. E se não é divertido, para mim, não vale a pena.