O dia 17.
quinta-feira, novembro 18, 2010
18:44
Quem olhou o calendário ontem, viu que era dia dezessete de novembro. Para mim, o dia mais carregado do ano. Não teve vestibular, início das aulas na faculdade, acidente de moto, declarações de amor feitas para a melhor amiga, nada mesmo que exigisse de mim tanto equilíbrio psicológico, quanto ontem.
Para quem observa de fora, pode paracer bobo... Mas festejar a vida da pessoa que você mais ama no universo inteiro e chorar pelo luto da amiga que faleceu há um ano, no mesmo dia, não é fácil.
É muito difícil. Por que é preciso se conter e eu não gosto de redomas, de limites para o que sinto. Por que eu não podia demonstrar tristeza, e, ao mesmo tempo, esbanjar felicidade seria uma falsidade sem tamanho. Por que a minha mãe merece o sorriso mais bonito do planeta Terra todos os dias, mas eu ainda não aceitei por completo a morte da minha amiga. Por que estamos falando de um homem que tem apenas 17 anos e é feito de emoção até a raiz dos cabelos. Por que é complicado administrar os sentimentos, as sensibilidades, as perdas, quando não se conhece muito da vida.
Eu ainda não descobri o que eu céus querem me dizer com isso, mas todos os momentos que marcam a minha vida de algum modo, acontecem naquelas datas que já eram significativas para mim. E com toda a minha distração, eu não consigo esquecer disso. Nem um minuto.
Ando exigindo muito de mim mesmo. Exigindo equilíbrio, sensatez, convicção, respostas, boas escolhas. E no meio de toda essa busca por precisão, acabo me esquecendo de que sou vulnerável e... Quer saber? Gosto de ser assim.
No final das contas, posso dizer que consegui ser sincero comigo mesmo, sem estragar a alegria de ninguém. Consegui prestar a minha homenagem para Letícia e demonstrar todo o meu amor para a minha mãe, que chegou mais linda do que nunca aos 45 anos. E não foi o dia mais fácil do ano, mas foi um dia de muita paz e muito amor dentro de mim.
Para minha mãe, que é uma mulher brilhante, arrasa todos os dias e me enche de orgulho. E para Lety, uma das pessoas mais admiráveis que tive a oportunidade [e a sorte] de conhecer.
Com todo o meu carinho.
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