"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

Rótulos.

terça-feira, janeiro 25, 2011 23:54


E não importa o quanto eu leve baldes de água fria e veja diante dos meus olhos uma série de situações e relacionamentos, eu continuo acreditando que existe uma pessoa perfeita. Quando digo perfeita, não falo de isenção de defeitos. Falo de características que se completam, de manias que podem parecer tão bobas quanto lindas, de uma briga que consegue terminar num amasso, de um encontro de possibilidades e de planejamentos que não ficam no ‘quase’. Falo de termos completos, de mais que é sempre mais e nunca mais ou menos. E sigo acreditando que essa pessoa existe... E, do meu método que talvez seja falho, procurando.
Me acho muito romântico às vezes e talvez eu seja mesmo, mas por mais que eu tente, não consigo [e de verdade, não quero] ser de outra forma. A minha concepção realista e contemporânea de mundo me diz para cair na real, mas eu simplesmente não estou com vontade e sei que isso pode me custar dores de cabeça, coração partido, dores de cotovelo e blá blá blá... Mas eu prefiro ir com tudo no amor e quebrar a cara, do que me encher de seguranças, de recomendações que se dizem ultramodernas e me desencontrar de todo mundo, sobretudo de mim mesmo. É uma escolha que já escolheram por mim. Um desses anjos tortos que aparecem quando a gente nasce.
E me acho tapado também. Meio idiota. E isso eu gostaria de mudar, porque não consigo perceber o menor charme nesses tipos. E tem horas que falo demais, perco o controle e me abro para uma série de rotulações. E como a gente gosta de rótulo... É como se fosse mais fácil fazer decisões seguindo um padrão pré-estabelecido [pelos outros e pela gente mesmo] de personalidade. Fulano é o estressado, sicrano é o insensível, beltrano é o sonhador e ninguém pode fugir desse roteiro. Tem gente que gosta de se limitar, será que é pra não sofrer? ... Me assusto mesmo com as pessoas que se assustam com a multiplicidade de sentimentos e de atitudes.
Não gosto de homogeneizações e por isso acredito nessa pessoa que é capaz de tanta reciprocidade, não estou dizendo que é todo mundo que encontra. Só estou dizendo que existe.