"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

Inelutável.

domingo, outubro 30, 2011 23:29

E eu apaguei a mensagem só pra não precisar lidar com ela todas as vezes que abrisse a caixa de entrada do meu celular. Não sei o que deu em você. Muito menos o que deu eu mim, enquanto ouvia todas aquelas palavras completamente soltas. E eu planejava, sabe? Planejava todo um discurso ou pelo menos sensações diversas para quando alguém me ligasse no meio da madrugada para falar... Aquilo. E eu não soube responder. Porque todas as respostas me pareciam inelutavelmente incompreensíveis. E eu me acho inelutavelmente incompreensível de vez em quando. Principalmente pelo fato de não me arrepender de colecionar mais um quase. Passa muito longe de ser um arrependimento... Foi só um telefonema e uma mensagem. 
E eu penso, reflito, paro... Mas sei que não vai dar em nenhum outro lugar diferente desse que já estou. Porque é tudo tão hermético, tão irracionalmente concreto e imutável. E duvidoso. É tudo muito duvidoso.

[E eu lembro de você me dizer o quanto adorava o meu jeito poético e exagerado de ver as coisas e se divertia com todas as metáforas malucas que a gente construía. E eu lembro de como a gente se aninhava no sofá, na cama, no edredom milimetricamente largado no chão, na banquinho da praça, no meio da chuva... E eu nem imaginava o que poderia ser. E passa muito longe de ser um arrependimento.]

Siga com sua vida aí, que eu sigo com a minha aqui. Mesmo que a gente não se encontre (mesmo que a gente não queira se encontrar).