"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

Tradeoff.

sexta-feira, outubro 07, 2011 23:57

Porque eu ando numa fase meio chata. Vendo metáforas em todos os lados. Na escolha daquela camisa, no perfume que tem a embalagem linda e o cheiro péssimo, nos morangos que não comprei quando fui ao mercado... E na minha aula de economia ontem. Lá pelo meio do discurso, a professora citou a palavra tradeoff. Trazendo para a realidade, a ideia consiste num sistema em que é necessário escolher quais são as prioridades ou necessidades econômicas de uma situação determinada e trabalhar em cima disso. Porque não dá para contemplar tudo... É preciso escolher.
E a vida? É diferente disso?
Viver é uma sucessão de escolhas, em que caminhos são descartados em detrimento de outros. O tempo todo. Escolher significa abrir mão e isso é óbvio. E bancar as consequências dessa escolha talvez seja... Maturidade. E isso acaba explicando uma outra história...
Há algum tempo, os amigos tem questionado o meu modo de levar a vida e de perceber as pessoas. Reconheço que tenho me fechado para algumas histórias, que não tenho procurado preencher as ausências que me consomem, que tenho preferido ficar na minha casa, com a minha própria companhia. Isso é escolha. Estou abrindo mão de viver qualquer histórinha que acabe no quase. Estou de abrindo mão de viver um relacionamento sem sentido. Estou abrindo mão de perder a minha paciência. Estou abrindo mão de, por enquanto, me arriscar... Porque eu não quero. Porque... Eu não quero. Falta paciência, não é nada muito diferente disso.
E chovem as críticas, dos meus melhores amigos, do meu pai, até das pessoas que me conhecem há pouco tempo. Que você deveria sair mais. Que você deveria dar uma chance para aquela pessoa. Que você deveria dar uma chance para você mesmo. Que você deveria levantar a cabeça. São muitas as orientações. Mas é que eu não fui educado emocionalmente para isso e as convicções que eu construí sempre foram além... Além de uma escolha tão incerta. Tô abrindo mão de correr atrás de prejuízos, isso significa abrir mão de correr atrás da felicidade que um relacionamento pode proporcionar? Eu não sei.

Não estou acostumado com essa realidade de agora. Com essas escolhas de agora... Mas escolher é abrir mão. Estou escolhendo minha paz e se isso hoje significa manter essa distância (eu não posso fazer nada).
É claro que eu sei o que eu quero. Talvez eu saiba quem consegue sustentar o meu olhar. E se eu não estou priorizando isso é porque eu acho que posso lidar. E isso é um problema meu.

Eu sei que isso não durará muito. Preciso de paixão. É claro que eu quero encontrar alguém, só não estou disposto a passar por todo esse processo agora. Simples assim.
Não consigo ser racional o tempo todo... E não existe escolha no mundo que altere isso. É (defeito) de fábrica.