"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

Por... Mim.

sábado, novembro 12, 2011 00:17

Eu não sou muito de comparar realidades para provar qualquer coisa. Porque a minha vida, as coisas que eu construo, os erros que eu cometo, a realidade que me pertence... É minha. Outra história é outra história. A vida dos outros é a vida dos outros. Mas é que... Hoje eu estava vendo uma matéria e contava  história de um rapaz, de 17 anos, que morava em um hospital. Precisei me afastar de todos pra poder pensar...
Pensar que eu sou (ou posso ser) tão mais do que quanto eu penso que sou. Confuso? Sempre defendi o direito de reclamar da minha vida quando eu quiser e que isso não significa que eu vivo pesadelos. Permaneço defendendo o argumento. Sou humano, naturalmente insatisfeito e como se não bastasse, leonino. Mas não custa nada olhar ao redor e perceber que tudo é tão fantástico, ainda que simples. Ainda que diferente daquilo que uma realização posterior pode oferecer. E não é porque existem pessoas numa pior... É porque simplesmente É.

Quase presenciei um acidente hoje e já estive envolvido em um. Precisei de um carro vindo na minha direção para poder valorizar mais os presentes que o universo me traz... No final, acho que é isso. Valorizar os presentes que o universo traz HOJE. O irmão que enche o saco, a faculdade que consome, o trabalho que irrita, os amigos que estão longe, os tios que moram fora e te enchem de saudade... Eu preciso cair na real. Tenho um irmão super, o curso que eu quero na faculdade que eu quero, um trabalho, amigos incríveis, tios que são o meu maior orgulho. Olhar pra tudo isso através de uma perspectiva pessimista é se maltratar. É ingratidão.

Estamos todos incomodados (ou acomodados). Queremos mudar. Queremos o próximo caminho. A próxima fase... Ontem era a faculdade, hoje é o diploma, daqui há algum tempo o cargo ideal, o mestrado em sei lá o quê, o amor incandescente, a casa na montanha, a viagem pela Europa. Mas será que o verdadeiro sentido não é ser feliz enquanto se caminha para tudo isso? 
Vou aprender italiano. Vou conhecer a França. Escolherei em qual área jurídica quero me especializar. Vou trabalhar e garantir o conforto que meus pais merecem. Aprenderei a dirigir. Terei meus amigos perto. Um dia depois do outro, um passo após o outro, porque como eu escrevi num outro texto, se eu correr, tropeço. A vida é cíclica e não dá pra escolher o que virá como quem escolhe o próximo destino num guichê de rodoviária.

Que eu não me censure. E que eu não me cure dessa vontade de... Mais. Por mim.
[E que o rapaz que mora num hospital, consiga alcançar um dia a vida fantástica que eu tenho. Amém.]