all night...
sábado, fevereiro 04, 2012
02:20
Eu fico me perguntando se deveria escrever do jeito desenfreado que faço. Mas é que eu me encontro nas palavras... Mesmo que eu fuja e me esconda atrás delas. Porque eu crio proteções, defesas e envolvo meus pensamentos construindo narrativas, trilhas... Querendo nomear toda e qualquer sensação pra me sentir blindado. A troco de quê mesmo? Talvez eu esteja confuso.
Queria ter em mim um sentimento avassalador, que desse um sentido incrível pra aquela música da Joss e que me fizesse dizer aquilo que eu ainda não sei e... Me perco. Me perco escrevendo. Porque o que é preciso pra acreditar é espírito, coragem... E eu só quero acreditar. Mesmo que isso não me leve pra lugar nenhum. Porque eu não quero um destino. Eu quero ir. Me deixar levar...
E não sei se exijo demais, se rotulo demais, pormenorizo demais... Complico o que é óbvio. Invento o que já existe, sem saber se dentro de mim já foi... E é estranho. Absolutamente estranho. Porque numa outra discussão hoje mais cedo, eu impus minha opinião de um jeito tão severo e assertivo que não reconheço o homem daquela conversa nesse texto. E eu não quero ser o homem daquela conversa apenas naquela conversa. Não quero ser o amigo que fala, diz, traz cartas na manga que sequer utilizou, indica caminhos sem nunca ter tido um mapa nas mãos.
E... E. A sensação de não saber o que fazer amedronta, sabe? Porque o mundo ainda se movimenta quando você está parado. E leva chances, traz pessoas, reorganiza seu universo mesmo que você não tenha tirado nada do lugar... Isso é dar livre oportunidade para que as coisas aconteçam. E elas acontecem. Os dias também passam sem nós.
E eu queria saber o que fazer com isso tudo... Com essa reflexão, com essas ideias soltas... Queria definir um ponto identificável qualquer que me mostrasse o que eu não consigo enxergar e que me fizesse parar de escrever no vazio pra falar o que eu não consigo...
Porque eu só me percebo como um cara perdido, que regride quando decide ser racional, que coloca os pés pelas mãos quando escolhe, que se trai quando reflete, que quer um sentimento avassalador, que dê um sentido incrível pra sei lá mais o quê... Mesmo que se feche em redemoinhos de pensamentos, que construa farsas românticas pra parecer que sabe e que tem uma sede de paixão... E que só quer acreditar... E ter espírito, coragem, sem devaneio... Ainda que desprezando a lógica de qualquer estratégia...
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