"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

ainda

sábado, junho 09, 2012 02:59

- ah, fala sério...
- você não entende. pode durar o tempo de um cigarro aceso. i don't care. eu sou idiota, eu sei... vamos, é isso que você pensa. eu gosto da pipoca, do brigadeiro, da coberta, da música sem sentido, da tarde chuvosa com a mão que se encontra e com o beijo em que se encontra, do arrepio na espinha, da respiração ofegante, da mensagem na madrugada... eu prezo pela intensidade. eu gosto do sentimento. o sentimentalismo eu quero que vá pro inferno. e carregue a previsibilidade junto. não vou transformar a vida em estatística. percebeu a diferença? antes de me rotular, perceba a diferença. ninguém precisa provar que é apaixonada por mim 24 horas do dia, nem declamar o Fernando Pessoa. até gostaria de ouvir a poesia do Pessoa, mas não precisa, sei ler sozinho, sem interpretar sozinho. aprendi até a sentir sozinho. mas eu gosto de dividir, e na minha matemática, pra isso é preciso dois. precisa me amar? talvez, nessa altura eu não sei mais qual ação que esse verbo expressa de verdade. gosto mais da palavra "compreensão". e adoro, sou encantado pela palavra "reciprocidade". falando em palavras, já desisti dos roteiros. já desisti de hollywood. fantasio, sonho, vou pra outra dimensão em meus textos... mas tudo isso que eu te digo agora tem o pé no chão. todos esses desejos têm o pé no chão. duvido que você acredite, mas... eu não sei mais viver sem a realidade. e nem quero. me diga que você entende.

(...)

- (você sabe que eu sempre achei feio essa coisa de gente desiludida. deixar de sonhar é deixar de viver, lembra? eu não deixei de acreditar. eu não deixei de brigar pelo meu futuro. é que agora eu prefiro viver no presente.)