Espaços vazios.
domingo, setembro 12, 2010
23:05
Assisti a um filme que tinha a Sandra Bullock como protagonista, Maluca Paixão (título besta, personagens clichês, uma coisa bem Hollywood...). Tem tempo já. Para a ocasião, um sábado à tarde, ele caiu como uma luva. A mocinha passa o filme inteiro correndo atrás de um cara que nem dá a mínima pra ela e cai (literalmente) nas maiores ciladas só para encontrá-lo. Só que não ia adiantar, sabe? Eles eram diferentes. Ele levava uma vida normal e pretendia continuar assim, ela queria uma vida tão vibrante quanto o vermelho de suas inseparáveis botas. Não é que ela fosse a louca e ele fosse o careta... Só não havia reciprocidade, então, não havia nada.
E aí fica o questionamento... Talvez ela nem gostasse tanto dele, com certeza aquele rapaz por mais que tivesse todas as qualidades e características não era o cara certo pra ela. Mas é que como a própria personagem disse no final do filme, a gente tem uma necessidade de preencher espaços vazios... E às vezes essa vontade toma conta e vai além da gente e se eleva no meio de todos os nossos anseios. Porque todo mundo quer viver a história do filme, mas qual é o preço que essa história custa?
Ainda sobre o filme, a personagem da Sandra diz umas coisas na cena final que me chamaram atenção. Durante todo o tempo, a imagem que eu construí dela foi a da menina fútil, quase deslumbrada, que não havia dado certo na vida e que não poderia perder essa chance, a do amor ou a do que ela esperava que fosse amor. Ela surpreende e diz:
"O editor de palavras cruzadas do New York Times disse: Temos um impulso natural por preencher espaços vazios. Eu gosto de pensar que ele não se referiu apenas as palavras cruzadas, mas aos espaços vazios dentro de nós que surgem por vivermos num mundo que nem sempre gosta do que é diferente. Eu tentei preencher meus vazios... Mas essa não era a resposta. Agora eu sei, na jornada da vida só precisa achar alguém tão normal quanto você ou então mude as pessoas. E aqui vai um conhecimento novo, recentemente adquirido, se ama alguém, deixe-o livre. Se tiver que persegui-lo é porque não é pra ficar com ele."
O conselho pode parecer banal, mas não é tão fácil de seguir. Para mim não é fácil de seguir, porque esse tipo de sentimento não se resolve por minha vontade, independe de mim. Existem escolhas que podem facilitar, mas a primeira escolha que deve ser feita nem sempre é realizada – É preciso escolher ir em frente e não se ater ao que não está mais sob o meu domínio, se é que esteve mesmo um dia. Tem que dar tempo ao tempo. Tempo...
Hoje eu estou muito confuso, nessa busca por preencher espaços vazios. Como eu disse esses dias, fico tentando organizar as coisas que não são para agora. E vivendo em função do amanhã... Não é certo. Prometo mudar.
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