O retorno.
sábado, abril 23, 2011
00:53
O dia hoje foi de reconhecimentos. Desde a primeira hora da manhã, falo sério. Nada que eu escrever aqui nesse espaço vai descrever tão bem quanto o texto que eu [re]li no blog da Lena. Você já perdeu a rédeas de si próprio alguma vez? Acho que eu perdi as minhas. E me sinto confuso, vazio, frustrado... A frustração não decorre de nenhuma esperança que foi devastada, de nenhuma expectativa baseada em atitudes alheias. É uma frustração que começa e termina em mim mesmo, que se esgota dentro de mim. Segue o texto da Lena, com as minhas marcações.
Encontros e espelhos
Eu ignoro a "verdade" às vezes... porque eu sei que ela é construída e, porque no meu jeito reflexivo de ser, eu sempre preferi construir meus mundos. Mas paredes continuam sendo paredes mesmo quando a gente as pinta de vermelho. E castelos só são castelos se também tiverem concreto, ou são apenas amontoados de areia.
Eu tenho que aprender o que fazer com essa pessoa que aparece em mim de vez em quando... E que me olha, assustada, e brava, e corajosa, com vontade de futuro, desafiando a rotina e minhas áreas de conforto. Preciso dizer a ela que é tanto um erro subestimar-se quanto considerar-se fortaleza.
Eu tenho que aprender o que fazer com essa pessoa que aparece em mim de vez em quando... E que me olha, assustada, e brava, e corajosa, com vontade de futuro, desafiando a rotina e minhas áreas de conforto. Preciso dizer a ela que é tanto um erro subestimar-se quanto considerar-se fortaleza.
Porque eu não sei o que eu vou fazer quando eu conseguir aquilo que busco. Meio como se pra continuar sonhando eu nunca pudesse alcançar sonho. Parece loucura... Será que deliberadamente, por ter medo de ser, eu mate qualquer externalidade que me constitua?! Tantas e tantas vezes uso a escrita como um escudo que me protege é de mim, e do que sinto, do que eu possa sentir... Meio como se eu tematizasse antes eu tivesse algum controle sobre gênio, rumo e direção. Às vezes me sinto como um maremoto de ondas cataclísmicas prestes a destruir cidades inteiras... mas a destruição é sempre interna. E também é sempre interno o desejo vazio que fica. É que me sobram tantas faltas...
Eu não quero ser pleno, porque acho que isso me daria uma responsabilidade muito maior que essa de agora e que, mesmo precária e limitada, já é tão pesada pra mim... Me sinto confuso, mas confusos não estamos nós todos?
*
Mas me doeu... "...em vez de zanzar em todos os lugares e não se construir em nenhum ponto identificável." A maior diferença entre a gente nem é você ser densa, prolixa e cínica como eu te disse em outro texto. É que eu sempre vou "mostrar a eles meu medo, mostrar a eles a minha dor". Eu não sei fazer diferente e nem quero. Mas o que você não entende é que já é essa a minha escolha... Eu odeio espelhos e adoro fairytales.
Acreditando ou não, sincronicidades ainda existem. E se, na Clínica, Marilyn também consegue ser Einstein, meu destempero pode servir pra construir... Vínculos. De mim com aquilo que talvez ainda exista de melhor em mim. Pra onde isso me leva? Ainda não sei. Mas pra usar a metáfora de outro filme e outra história... "É continuar respirando. Por que quem sabe o que amanhã poderá me trazer a maré?"
Não é minha missão nessa terra mostrar a você qualquer coisa. Suas escolhas também são suas e, para algumas pessoas, felicidade é o alcance de metas. Eu prefiro que as metas se f*dam... prefiro continuar sendo "raso" e jogando minha "suposta inteligência" lá pra baixo se isso me fizer mais humano, mais perto do que vislumbro e quero pra mim. Talvez ambos consigamos a nossa "meta", que para mim é temporária e pode ser que se desloque, mas o meu percurso vai ser incrivelmente mais divertido que o seu.
Acho que é só.
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