"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

Para você, mais uma vez.

sábado, abril 23, 2011 17:28

"Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansado." (Clarice Lispector)


Não sei qual é a forma desse texto. Só sei que preciso escrevê-lo. Tentei dormir, mas sei lá... Às vezes eu não sinto nada muito diferente do vazio. E isso me sufoca. Queria que esse vazio fosse preenchido por alguma coisa, mesmo que essa coisa não fosse boa... E não sei qual é o meu problema, mas apesar de me incomodar com as coisas que você posta nas redes sociais que faz parte, eu não consigo sentir por você nada que chegue perto de raiva, o que eu sinto é... Saudade. Porque eu não me sinto confortável para exigir nada de você, mas exijo um monte de mim, mesmo que você não perceba e não se importe, eu cobro e busco perfeições em minhas atitudes, em minha palavras e até nos pensamentos que você não tem acesso. Não é porque é você, é porque sou eu. Sua indiferença me irrita, mas não me encoraja a pedir atenção.

E eu queria aqui, agora, assumir a postura do homem bem resolvido que sou em diversas instâncias da minha vida, que está acima das convicções morais de quem quer que seja. Queria me apresentar como aquele que não se importa, que é racional e que permite o acontecimento das coisas sem precisar da menor necessidade de controle... E queria fingir que não vi nada, que permaneço intacto, firme. Mas entre tanta vontade de querer, eu não consigo negar nada do que estou... E minhas ausências são tão determinantes quanto meus excessos.

Me sinto um completo idiota diante da sua certeza, das suas regras, da sua autonomia diante disso tudo, da distância que você escolhe ter de mim. Me sinto como um personagem efêmero em mais uma de suas histórias irrelevantes [O que era que eu poderia esperar? Aquela música sempre me lembrou você mesmo...]. E essa é a diferença entre a gente, diferença que já foi explicitada... Eu não trato efemeramente as pessoas que escolho para fazer parte da minha vida, mesmo sabendo que elas são temporárias. E essa é a minha escolha, do mesmo modo que aquela é a sua. Eu só sei viver uma história de cada vez. E vivo.

Cansei de metáforas e por isso, ao menos dessa vez, decidi ver as coisas com os meus próprios olhos. E foi assim desde o começo, desde quando eu achei que nunca haveria um começo... E apesar de perceber com toda a nitidez do mundo, é inevitável a confusão. Porque sinais são sinais e a gente interpreta como quiser. Mas e quando os sinais mudam drasticamente? Sinceramente, espero aprender a lidar com essas mudanças de comportamento... Sempre acreditei em tudo o que você disse, até naquilo que eu julgava inverossímil. Porque diabos agora seria diferente? No entanto meu bem, para mim, acreditar é diferente de entender.

E me pergunto o que esperar de você, mas sei que é um questionamento vão. Porque eu não posso esperar mais nada de você. Porque até que me provem o contrário, você não quer mais oferecer nada para mim... E sendo assim, tenho eu o direito de querer oferecer alguma coisa para você? Percebo o seu desinteresse apesar da distância e muito provavelmente por conta dela.



 Não sei o que está acontecendo entre nós e não posso dizer por que você deveria gastar um pouco de fé em alguém como eu. (Californication, S02E10)


Não sei qual característica minha não agradou. E me cheteia pra caralh* não poder fazer nada para mudar isso, porque eu não posso fazer com que você goste de mim, nem forçar afinidade. Ainda mais se tratando de nós... Duas pessoas espontâneas.

Ter te conhecido e ter te encontrado é bom, não poder ficar com você é péssimo. 
Nos perdemos? O que aconteceu?
Por mais que o mundo dê voltas, não é sempre que ele para no mesmo lugar.

É difícil ver o que não se quer... Mas é que a obstinação faz com que apesar de se ter ouvidos, não se possa ouvir, já escreveu a Elenita. Sei lá... Eu só achei que tudo o que aconteceu pudesse valer alguma coisa. E pode ter sido válido, mas não para o futuro, somente enquanto aconteceu. Não, eu não sou de insistir, mas também não sou mais aquele que foge diante da ameaça, diante da verdade. Meu lado urgente não permite mais isso e agora ele só me diz que quer continuar. Não sei dizer: "Eu tentei, ela não quis e o problema é dela", porque é problema meu. Acho que é todo meu, inclusive. Eu sabia até onde você estava disposta a ir... Agora eu preciso saber se você quer continuar.

A QUESTÃO É QUE EU TENHO PARAR DE IGNORAR A VERDADE, tenho que ser honesto comigo mesmo, do mesmo modo que você julga ser com você mesma sempre.

Em tempo: Nunca vislumbrei, nem tive a pretensão de ser a história da sua vida. Sei que não seria. Sei que equívocos fazem parte do caminho de todo mundo. E mesmo assim, acreditei que poderia ser incrível [e até certo ponto foi e poderá ser], mesmo com a aparente divergência de interesses. Nunca quis mudar as suas concepções, nem movi uma palha para mudar as minhas. Apenas tentei lidar com isso, mesmo que desafiasse todas as minhas áreas de conforto. Pode confiar, eu nunca despejei em você nenhuma expectativa, nem um dia sequer... Mas eis o problema: Eu crio expectativas para mim, tenho um lado que briga e acredita no futuro, você sabe. Minha vulnerabilidade ainda me permite estar aqui, esperando pela sua objetividade, mesmo que com medo. Me sinto um idiota por isso? Óbvio. Só que me sinto muito mais idiota em negar as coisas que eu quero viver... Tenho os meus motivos para ser assim. Não é e nunca foi uma questão de viver algo definitivo, mas algo verdadeiro.

"Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação." (Clarice Lispector)


Acho que esse texto foi bem isso, uma tentativa de entender.