Caleidoscópio.
sábado, setembro 03, 2011
11:36
E agora eu só faço observar os relacionamentos alheios. E a sensação é meio que de apatia. Como naquele Festival... Ouvia todas as músicas, me abraçava bem forte, segurava a mão da amiga, fechava até os meus olhos na hora de cantar, mas não pensava em ninguém. Não lembrava de nada além das letras das músicas... E cantava. Gritava. Mas não sentia. Aquilo, de algum modo, me incomodou... E eu fiquei sem entender o que de fato eu queria. Se eu queria a idealização, mesmo que somente projetada ou se eu queria a distância de tudo que não fosse real. Não sei ainda. O que eu sei é que não dá muito pra confiar em projeções, sabe? Porque a verdade tem que ser construída, não inventada, nem fruto das minhas idéias mirabolantes. Só que de vez em quando elas suprem uma necessidade mais urgente e mais particular...
E essa conversa de idéias mirabolantes, de entregas... A impressão que eu tenho de tudo isso é a de que é tudo besteira. Tudo bobagem. Porque na música da Ana Carolina fica muito bonito, "então me lanço, me atiro em frente ao seu carro e aí você decide se é guerra ou perdão...". Esse trecho muitas vezes me fez acreditar na minha coragem, no meu ímpeto. Hoje, a tangente pela qual eu observo é outra. Outra completamente contrária...
Percebo todo esse discurso como pura covardia, uma defesa irracional, como exoneração da responsabilidade, da responsabilidade pelo o que não deu certo. Como se afirmar isso fizesse de mim a vítima... Dos meus próprios excessos. Eu não sei o que eu vou fazer quando alguém resolver se atirar na frente do meu carro. Eu não sei o que vou fazer para decidir entre a guerra e o perdão. Eu não sei se estou pronto para receber aquilo que, na minha idealização e na minha projeção maluca, eu tenho para oferecer. Eu acho que não estou e é idiota dizer isso. Será que existe isso mesmo de "estar pronto"? Não são as circunstâncias que fornecem as atitudes? Não sei, mas desconfio que sim.
Eu nem sei se o que eu tenho pra oferecer é tanto assim... Se é tão suficiente assim. E dá um medo de não ser... Um medo estúpido. Porque talvez as circunstâncias forneçam as atitudes.
Será que algum dia eu conseguirei sustentar as minhas intensidades, na perspectiva de vida tranquila que alguém pode, por acaso, me oferecer?
[E eu sigo buscando... Matar saudade do que ainda não me constitui. Mas ser constante na busca não é suficiente. É preciso saber o que se quer. Porque quem não sabe onde quer ir, nunca vai reconhecer quando encontrar.]
É isso.
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