"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

Ficcional.

sábado, setembro 03, 2011 23:20

E me deu um medo. Um medo de não te ter mais em minha vida, de que o seu abraço não me apaziguasse mais e que o seu sorriso deixasse de acelerar a minha calma. E me deu um medo de te perder. Não para outro moço, nem para outra história, mas para o tempo, para a força das circunstâncias. Porque eu me sinto incrível ao seu lado e não sei o que seria da minha vida sem você... Mesmo que você surja apenas de estação em estação, trazendo sempre o verão para o meu outono com cor de saudade. Porque eu não sei porque você me faz tanto bem. Em instâncias que eu nem consigo definir, instâncias únicas... Logo eu, que gosto tanto de certezas. E me deu uma angústia, quando eu pensei que não poderia mais te telefonar no meio da madrugada, nem encher a sua caixa de entrada com mensagens sobre coisa nenhuma. E nós dois conversamos sobre coisa nenhuma como ninguém. E nós dois cabemos um no outro como em nenhuma outra pessoa. Porque somos pelo avesso. Caminhamos no avesso. Nos encontramos no avesso. No reverso... De nós.
E me deu um medo. Medo de que você descobrisse que a minha aflição não era por conta da minha rotina limitada. Um medo de que as nossas metades inteiras não pudessem mais se completar em mais nenhuma outra esfera. Um medo estúpido e idiota de que as loucuras não fossem mais possíveis. De que você não fosse mais possível. Porque eu não sou possível sem você. 


Um medo que ainda subsiste, apesar de.