Numa tarde ensolarada de sexta...
sexta-feira, março 02, 2012
23:42
Hoje no ônibus eu pensei em trinta e sete possibilidades de textos... Tantos foram os pensamentos que me invadiram e fizeram parceria com minhas incertezas. Só não sei se deu samba. Talvez tenha dado um nó. Talvez não me leve para nada.
Teve a senhora de cabelos vermelhos que começou a chorar de repente e me fez olhar ao redor e imaginar a vida que cada uma daquelas pessoas levava, o universo que cada uma delas constituía. E eu acho isso fantástico. Absolutamente fantástico. Todos com qualidades, defeitos, traumas, complexos, preferências de todas as espécies, ocupações distintas, contas pra pagar, sentimentos bem resolvidos ou não... Todos tão múltiplos. Enquanto eu pensava nisso, tinha o estudante de ciências da computação sentado ao meu lado que lia um livro sobre mitologia, os meninos que compartilhavam músicas pelo celular, o rapaz de óculos escuros que não parava de sorrir ao conversar pelo telefone, minha priminha que estava no meu colo dormindo e devia ter por preocupações a atividade de ciências e a boneca que ela tinha elegido nessa semana como filha. E claro, a senhora que chorava por algum motivo. Ela me intrigou. Porque eu pensei se também tinha motivos para chorar, ou se minhas alegrias eram maiores do que minhas tristezas. Acho que eu senti um pouco de saudade de uma coisa que eu nem sei direito o que é... No fundo, deve ter sido saudade de expectativas.
Acho que eu estou uma pessoa sem expectativas de nada. Li numa crônica que isso era bom, mas discordo plenamente. Olhei para os prédios da Justiça Federal, do Tribunal Regional de não sei mais o quê e repensei minhas escolhas, reconsiderei minha rotina, meus sonhos... E reflexivo mais do que o normal, me perguntei se estava entregando os meus esforços para a coisa certa. Senti necessidade de rumos... E em meio a tantas placas, que indicavam lugares que eu não conhecia, me reconheci per-di-do. Perdido no centro de uma cidade que eu não conheço. Perdido no centro de mim mesmo, que eu julgava conhecer tão bem. Mas são tantas as avenidas que eu nunca me arrisquei percorrer... São tantas as avenidas que eu nunca me arrisquei percorrer e...
Me deparei com o prédio espelhado. Com os vários prédios espelhados. E uau. Que lindos podem ser os espelhos. E ainda assim, tantas e tantas vezes eu me escondo deles... Porque prefiro acreditar em outras histórias... Inventadas. O problema é que outras histórias nem sempre refletem a verdade. Como que diz mesmo a outra canção da Vanessa... "outra históroa já diz, OUTRA." O que é que preciso? De coragem?
Desci do ônibus, mais por intuição do que por certeza de que aquele era o ponto... E dessa vez, pelo menos dessa vez, esse negócio de intuição me levou pra algum lugar certo. Na segunda tentativa, porque eu entrei na rua errada antes, mas... Cheguei no lugar certo. E eu penso, sabe? Visão, olfato, paladar, audição e tato. São só esses que eu reconheço. Só cinco sentidos. O sexto eu acho que não veio. E ainda assim eu insisto, eu bato na tecla, eu confio nas minhas suposições, nos meus impulsos... Só que nunca sei pra onde que eles orientam (talvez por isso que sejam apenas impulsos, no fim das contas), seja pra entrar em uma esquina ou seja pra entrar na vida de alguém. Eu nunca sei... Mas confio. E costumo ter medo, me afligir... Mas confio no tal do sexto sentido que não existe. Confio na minha falta de racionalidade, a maior ironia da minha vida, já que sou uma pessoa que pensa além da conta. Uma pessoa que pensa demais e é tão emocional quanto um tango argentino... É a maior ironia da minha vida.
(centenas de reticências)
Vou deixar esse texto sem final. Porque eu não estou de direções. Nem de onde eu estou. E quem não sabe onde está, não é capaz de definir ainda para onde quer ir... E só.
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