Dramático? Eu?
sábado, abril 21, 2012
22:28
E aqui estou eu, escrevendo só com a metade da tela do notebook funcionando. De um jeito inexplicável, o LCD resolveu se rebelar e meu computadorzinho está com o aspecto de um vidro estilhaçado. As pessoas que melhor me conhecem podem até imaginar a cena dramática que eu devo ter feito... Gritando todos os palavrões, praguejando o universo, chorando de ódio.
Mas não fiz cena alguma. Desliguei o computador e voltei a fazer o que eu estava fazendo. Continuei a ouvir o meu CD da Cássia Eller e a ler o exemplar da Martha Medeiros. Sentadinho na minha cama como se nada tivesse acontecido. É óbvio que eu pensei em como seria caro o conserto, em como eu realmente não estava preparado para gastar com isso, em como ficaria a questão do meu emprego e da minha faculdade que dependem diretamente do notebook. E o meu final de semana? E as minhas redes sociais? E o email que eu precisava enviar quase urgentemente? E o texto que eu estava planejando escrever? Dei de ombros. Preferi me embalar na melodia de As Coisas Tão Mais Lindas, que estava tocando naquela hora...
E eu acho que carrego nas tintas de vez em quando... Me desespero com bem pouco. Bem pouco mesmo. Só que hoje, depois de ter me conformado com minha tela estilhaçada, percebi que todas as vezes em que aconteceu alguma coisa que realmente me desse motivos para perder as estribeiras, a minha escolha foi o silêncio, a paciência, a calma. Não preferi o estresse. Mas se um copo quebrasse, a roupa que eu quisesse usar aparecesse com uma mancha, o download fosse interrompido no meio do filme... Ou se qualquer outra banalidade contornável acontecesse, acho que aí sim eu iria invocar os palavrões, reclamar da vida, maldizer a sorte... Talvez esse tenha sido o jeito que a minha cabeça maluca encontrou pra não deixar de lado a minha face dramática (porque eu gosto dela) e pra não permitir que essa face interfira no que é mesmo importante. Eu acho que estou é me desapegando das coisas... Ou vai ver eu só enlouqueço quando tenho certeza de que cabe a mim colocar as coisas nos eixos. Isso deve trazer alguma espécie de controle sobre a minha paranoia.
Drama vai fazer parte do meu show. Eu acho que pra sempre. Mas se isso se manifestar quando a solução do problema for varrer o vidro do chão, ou escolher outra roupa ou recomeçar o download... Não vai me fazer mal. Talvez faça algumas rugas na minha testa. Mas não vai me fazer mal...
Olhei pra trás e lembrei das situações realmente complicadas, nessas eu mantive a estabilidade que me resta. Dessas eu saí e com muita maturidade e dignidade. Nessas eu mostrei que o menino dramático, é só um personagem. E que eu adoro interpretar.
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