"E repelir como inútil tudo o que não contribuísse para a alegria imediata do coração, porque tinha um temperamento mais sentimental que artístico, procurando emoções e não paisagens..."

Febre

domingo, maio 06, 2012 22:30

Trilha, aqui.

E ontem, no meio da febre, da temperatura alta, do arrepio, do frio implacável... Você veio. Em sonho, em delírio. E se não fosse a minha necessidade de analgésico para dor de cabeça, eu acho que não impediria a sua visita. Porque dessa vez, eu sabia que seria só nessa noite. Seria só enquanto o termômetro marcasse quarenta graus. E eu acordaria do mesmo jeito... E eu acordei do mesmo jeito.

Talvez eu até adiasse a minha caminhada perambulante pela casa atrás da caixa de remédios se no sonho você tivesse o mesmo brilho de antes. E se eu tivesse a mesma vontade de antes. Não tinha. Mas eu queria a sua presença... Comigo. Não sei porque. Não sei se era a carência que se instaura quando se está doente e sozinho... Até a cama de solteiro parece gigante. E qualquer coberta é mais gelada do que o calor de um abraço. 

O fato é que entre um calafrio e outro, entre uma alucinação e outra, entre todas as viagens interplanetárias feitas pela minha cabeça... Você estava. No meio da febre. Cortando minha noite de agonia.

Antes, as sequelas da noite (per)durariam semanas. Hoje, nada que um comprimido de paracetamol não cure.